Eu já tinha visto isso na TV... Adorei!
6 de set. de 2007
5 de set. de 2007
3 de set. de 2007
Gordos Injustiçados

Olha fiquei de cabelo em pé com a matéria aí de baixo. Entendo todas as pressões sociais - mais do que ninguém sofro na pele o preço da exposição. Ser fora de padrão é uma baita BARRA. Mesmo assim, acho muito complicado sair propagando tais informações. Dizer que ser gordo na sociedade de hoje é inaceitável, gera ainda mais frustração e preconceito. Enfim, olhem aí o que a pesquisadora da Puc carioca disse ao jornal Zero Hora.
Insatisfação garantida
Preocupação com a imagem corporal altera vida social das mulheres e gera intolerância com os gordos
MILENA FISCHER
Dois terços das mulheres de todo o planeta, entre 15 e 64 anos, já evitaram alguma atividade social, como expressar opinião em público, por se sentirem mal em relação a sua aparência física. Desse contingente de mulheres intimidadas pela busca de um padrão de beleza inatingível, a maioria se situa na faixa etária dos 15 aos 17 anos, a perturbadora adolescência. Os dados constam do relatório global Além dos Estereótipos, pesquisa realizada em 10 países por uma marca de produtos de beleza. Pode-se dizer que o padrão de beleza é inatingível ao observar um outro dado: mais de 92% das garotas declararam que querem mudar pelo menos um aspecto da sua aparência. Ou seja, até mesmo meninas como a Carolina Noll, modelo que ilustra esta reportagem, jovem, magra e com um rosto de boneca, não estão satisfeitas com sua imagem. E provavelmente passarão boa parte da vida buscando formas de modificar seu corpo. Não é à toa que o Brasil conquistou o segundo lugar no ranking dos países nos quais mais se fazem cirurgias plásticas, perdendo apenas para os Estados Unidos. No país que produz uma miss de 22 anos que se submete a 19 plásticas, a gaúcha Juliana Borges, são cerca de 500 mil procedimentos cirúrgicos ao ano. Segundo o Instituto Fitness Brasil, o país também é o segundo colocado no mundo em número de academias, com 7 mil estabelecimentos, atrás novamente dos EUA (mais de 26 mil academias). - O corpo ganhou uma importância inusitada, tornou-se tão ou mais importante do que a alma. Cada vez mais o interior subjetivo começou a ser avaliado por meio da aparência corporal, como se o corpo tivesse se tornado o principal indicador do que há de melhor e do que existe de pior em cada um - diz Denise de SantAnna, historiadora da beleza. Na sociedade do hiperconsumo, onde tudo é oferecido em excesso, as mulheres têm a sua disposição milhares de produtos para auxiliar na busca do corpo perfeito. A indústria da magreza insere-se na engrenagem do "ter que adquirir" - seja uma barriga sarada, um bumbum redondo e, claro, quilos a menos. Paradoxalmente, também há uma oferta jamais vista de tecnologias que conduzem ao sedentarismo e alimentos industrializados de baixo teor nutricional. Dentro desse contexto, a manutenção de um corpo magro torna-se sinônimo de autodisciplina e sucesso - e conduz a uma conseqüente marginalização do gordo.- Se em outras épocas havia uma tolerância maior ao cultivo de uma certa barriguinha, hoje, especialmente para as mulheres, ela é motivo de vergonha, uma prova de falta de amor por si mesma. Essa tendência se tornou mais forte a partir dos anos 60, quando as dietas começaram a povoar as revistas femininas e surgiu o horror à celulite, o biquíni, a minissaia e uma certa liberação do corpo da mulher que dela exigiu novos cuidados com a silhueta e uma intolerância aguda à flacidez do ventre e das coxas - analisa Denise.Para a especialista em transtornos alimentares e coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza do Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa e Intervenção Social da PUC-Rio, Joana de Vilhena Novaes, a preocupação com o corpo ultrapassou há muito a questão da saúde:- A obesidade é hoje um caso de saúde pública, inclusive onerando o Estado, uma vez que o SUS tem liberado cada vez mais cirurgias para obesos. Mas não se pode criminalizar a gordura. Há uma intolerância com o gordo, que se tornou exemplo de pessoa feia e desleixada.A pesquisa Além dos Estereótipos corrobora essa fixação pela magreza como sinônimo de beleza e sucesso: nove de cada 10 mulheres entre 15 e 64 anos, no mundo inteiro, disseram que querem mudar pelo menos um aspecto da sua aparência, sendo que o peso é o primeiro deles. A busca por um ideal construído na era do photoshop ("Esses corpos de Hollywood não são de carne e osso, já que o que vemos é apenas a imagem", diz Joana), leva muitas mulheres à imobilidade. Entrevistadas de todas as idades afirmaram abrir mão de atividades como ir à praia, namorar, ir a festas ou conhecer novos amigos por se sentirem feias. Gordas. Ou você nunca lançou mão de um camisetão para ir à praia com aquela amiga que, na sua visão provavelmente distorcida de seu corpo, é mais magra e linda do que você? Ou sua filha nunca chorou na frente do espelho porque a malha justa e cor-de-rosa de balé evidencia a barriguinha típica de seus sete, oito anos? Nessa idade as meninas já estão preocupadas com sua imagem corporal. E começam se condenando. O que normalmente acontece quando uma menina, principalmente na fase da adolescência, diz para as amigas que se acha bonita? É taxada de "convencida". Segundo a pesquisa, somente duas mulheres em cada 10 estão muito satisfeitas com sua aparência física geral, peso e forma corporal, e menos do que duas mulheres em cada 10 acreditam que têm auto-estima alta. O peso e a forma são tão relevantes que não é de espantar que as mães, segundo o estudo, são "significativamente mais propensas a estarem insatisfeitas com sua aparência". A imagem perfeita sempre está a um passo distante - e há milhares de produtos que se pode consumir para tentar chegar a ela.- A mídia cria e reproduz modelos, a população, também. O interessante é perceber que a obsessão pelo corpo é reveladora de uma imensa solidão do indivíduo que, no limite, sabe muito bem que tem apenas o seu próprio corpo como única certeza de que está vivo e de que existe. Tudo se passa como se a frase referencial hoje fosse: tenho este corpo, logo existo - diz Denise.Ao mesmo tempo em que carregam o fardo do espelho, nove de cada 10 mulheres entrevistadas no estudo acham que é importante engajar meninas no sentido de criar uma imagem corporal realista e saudável. E nove de cada 10 garotas de 15 a 17 anos concordam que o discurso positivo sobre imagem precisa começar cedo. Ou seja, as mulheres sofrem uma tirania da qual parecem querer se livrar, mas não conseguem. - A mulher magra é valorizada desde que ela mostre força. É diferente da valorização da mulher magra dos anos 20, pois hoje há uma valorização da magreza associada a seios grandes e lábios grossos, um modelo de mulher que evoca mais a luta, o abocanhar o mundo. Ao mesmo tempo, nunca tivemos tantos obesos. Me parece que a figura do obeso ocupa no imaginário contemporâneo o lugar do monstro. Ele indica a impossibilidade de ser produtivo. Numa época em que ser produtivo transformou-se na principal qualidade do ser humano, a obesidade parece não ter lugar no mundo - conclui Denise SantAnna.
Preocupação com a imagem corporal altera vida social das mulheres e gera intolerância com os gordos
MILENA FISCHER
Dois terços das mulheres de todo o planeta, entre 15 e 64 anos, já evitaram alguma atividade social, como expressar opinião em público, por se sentirem mal em relação a sua aparência física. Desse contingente de mulheres intimidadas pela busca de um padrão de beleza inatingível, a maioria se situa na faixa etária dos 15 aos 17 anos, a perturbadora adolescência. Os dados constam do relatório global Além dos Estereótipos, pesquisa realizada em 10 países por uma marca de produtos de beleza. Pode-se dizer que o padrão de beleza é inatingível ao observar um outro dado: mais de 92% das garotas declararam que querem mudar pelo menos um aspecto da sua aparência. Ou seja, até mesmo meninas como a Carolina Noll, modelo que ilustra esta reportagem, jovem, magra e com um rosto de boneca, não estão satisfeitas com sua imagem. E provavelmente passarão boa parte da vida buscando formas de modificar seu corpo. Não é à toa que o Brasil conquistou o segundo lugar no ranking dos países nos quais mais se fazem cirurgias plásticas, perdendo apenas para os Estados Unidos. No país que produz uma miss de 22 anos que se submete a 19 plásticas, a gaúcha Juliana Borges, são cerca de 500 mil procedimentos cirúrgicos ao ano. Segundo o Instituto Fitness Brasil, o país também é o segundo colocado no mundo em número de academias, com 7 mil estabelecimentos, atrás novamente dos EUA (mais de 26 mil academias). - O corpo ganhou uma importância inusitada, tornou-se tão ou mais importante do que a alma. Cada vez mais o interior subjetivo começou a ser avaliado por meio da aparência corporal, como se o corpo tivesse se tornado o principal indicador do que há de melhor e do que existe de pior em cada um - diz Denise de SantAnna, historiadora da beleza. Na sociedade do hiperconsumo, onde tudo é oferecido em excesso, as mulheres têm a sua disposição milhares de produtos para auxiliar na busca do corpo perfeito. A indústria da magreza insere-se na engrenagem do "ter que adquirir" - seja uma barriga sarada, um bumbum redondo e, claro, quilos a menos. Paradoxalmente, também há uma oferta jamais vista de tecnologias que conduzem ao sedentarismo e alimentos industrializados de baixo teor nutricional. Dentro desse contexto, a manutenção de um corpo magro torna-se sinônimo de autodisciplina e sucesso - e conduz a uma conseqüente marginalização do gordo.- Se em outras épocas havia uma tolerância maior ao cultivo de uma certa barriguinha, hoje, especialmente para as mulheres, ela é motivo de vergonha, uma prova de falta de amor por si mesma. Essa tendência se tornou mais forte a partir dos anos 60, quando as dietas começaram a povoar as revistas femininas e surgiu o horror à celulite, o biquíni, a minissaia e uma certa liberação do corpo da mulher que dela exigiu novos cuidados com a silhueta e uma intolerância aguda à flacidez do ventre e das coxas - analisa Denise.Para a especialista em transtornos alimentares e coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza do Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa e Intervenção Social da PUC-Rio, Joana de Vilhena Novaes, a preocupação com o corpo ultrapassou há muito a questão da saúde:- A obesidade é hoje um caso de saúde pública, inclusive onerando o Estado, uma vez que o SUS tem liberado cada vez mais cirurgias para obesos. Mas não se pode criminalizar a gordura. Há uma intolerância com o gordo, que se tornou exemplo de pessoa feia e desleixada.A pesquisa Além dos Estereótipos corrobora essa fixação pela magreza como sinônimo de beleza e sucesso: nove de cada 10 mulheres entre 15 e 64 anos, no mundo inteiro, disseram que querem mudar pelo menos um aspecto da sua aparência, sendo que o peso é o primeiro deles. A busca por um ideal construído na era do photoshop ("Esses corpos de Hollywood não são de carne e osso, já que o que vemos é apenas a imagem", diz Joana), leva muitas mulheres à imobilidade. Entrevistadas de todas as idades afirmaram abrir mão de atividades como ir à praia, namorar, ir a festas ou conhecer novos amigos por se sentirem feias. Gordas. Ou você nunca lançou mão de um camisetão para ir à praia com aquela amiga que, na sua visão provavelmente distorcida de seu corpo, é mais magra e linda do que você? Ou sua filha nunca chorou na frente do espelho porque a malha justa e cor-de-rosa de balé evidencia a barriguinha típica de seus sete, oito anos? Nessa idade as meninas já estão preocupadas com sua imagem corporal. E começam se condenando. O que normalmente acontece quando uma menina, principalmente na fase da adolescência, diz para as amigas que se acha bonita? É taxada de "convencida". Segundo a pesquisa, somente duas mulheres em cada 10 estão muito satisfeitas com sua aparência física geral, peso e forma corporal, e menos do que duas mulheres em cada 10 acreditam que têm auto-estima alta. O peso e a forma são tão relevantes que não é de espantar que as mães, segundo o estudo, são "significativamente mais propensas a estarem insatisfeitas com sua aparência". A imagem perfeita sempre está a um passo distante - e há milhares de produtos que se pode consumir para tentar chegar a ela.- A mídia cria e reproduz modelos, a população, também. O interessante é perceber que a obsessão pelo corpo é reveladora de uma imensa solidão do indivíduo que, no limite, sabe muito bem que tem apenas o seu próprio corpo como única certeza de que está vivo e de que existe. Tudo se passa como se a frase referencial hoje fosse: tenho este corpo, logo existo - diz Denise.Ao mesmo tempo em que carregam o fardo do espelho, nove de cada 10 mulheres entrevistadas no estudo acham que é importante engajar meninas no sentido de criar uma imagem corporal realista e saudável. E nove de cada 10 garotas de 15 a 17 anos concordam que o discurso positivo sobre imagem precisa começar cedo. Ou seja, as mulheres sofrem uma tirania da qual parecem querer se livrar, mas não conseguem. - A mulher magra é valorizada desde que ela mostre força. É diferente da valorização da mulher magra dos anos 20, pois hoje há uma valorização da magreza associada a seios grandes e lábios grossos, um modelo de mulher que evoca mais a luta, o abocanhar o mundo. Ao mesmo tempo, nunca tivemos tantos obesos. Me parece que a figura do obeso ocupa no imaginário contemporâneo o lugar do monstro. Ele indica a impossibilidade de ser produtivo. Numa época em que ser produtivo transformou-se na principal qualidade do ser humano, a obesidade parece não ter lugar no mundo - conclui Denise SantAnna.
Comportamento
"O gordo não participa das regras do jogo"
Especialista em transtornos alimentares e Coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza do Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa e Intervenção Social da PUC-Rio, Joana de Vilhena Novaes passou 10 anos em pesquisa de campo em academias e ante-salas de clínicas de cirurgias plástica e grupos de pacientes à espera de gastroplastia redutora. O resultado é uma tese de doutorado e um retrato comportamental sobre a relação da mulher com a ditadura da beleza, publicado, com bom humor, no livro O Intolerável Peso da Feiúra - Sobre Mulheres e seus Corpos (PUC/Garamond). Mestre e doutora em psicologia clínica, Joana é consultora em campanhas publicitárias e especialista em transtornos alimentares. Nesta entrevista, concedida por telefone desde o Rio de Janeiro, ela lança um alerta sobre o preconceito contra as pessoas gordas:- Estão criminalizando a gordura.
Donna ZH - Por que hoje as mulheres consideram mais importante ser magra do que bonita?
Joana de Vilhena Novaes - Elas não consideram. Simplesmente não há mais como desvincular os conceitos de magreza e beleza. Ser magra é a personificação da imagem do sucesso. Ninguém aponta exemplo de pessoa bonita que não seja magra. Então não há mais diferença de importância entre ser magra e bela. As duas coisas são uma só.
Donna ZH - Então uma pessoa gorda jamais será exemplo de belo?
Joana - Veja bem, estou fazendo um recorte da situação. Ressaltando a que ponto as coisas chegaram. Ser gordo é a representação da feiúra e da exclusão social. Hoje, não há nada que leve mais à exclusão do que ser gordo. Gordura virou sinônimo de desleixo, de problema de caráter. O gordo enfrenta problemas nas seleções de vagas de emprego. Pesquisa publicada no New York Times mostra que quem é gordo e feio ganha menos do que quem é magro. Assim como magreza tornou-se sinônimo de beleza, gordura é o mesmo que feiúra.
Donna ZH - Como chegamos a esse ponto?
Joana - É próprio dos tempos atuais moralizar a beleza, que é quando se responsabiliza a pessoa por sua aparência física. Na sociedade de consumo, há muito o que consumir para não ser gordo. Em uma sociedade marcada por paradoxos, um deles é que, apesar de as pessoas serem mais sedentárias, são mais cobradas a terem corpos atléticos. Vivemos a cultura do excesso, mas a mensagem é "prive-se, o seu valor está na disciplina". Logo, o gordo não participa das regras do jogo.
Donna ZH - O gordo está sendo marginalizado e culpado por seu corpo?
Joana - Sim. É óbvio que há a questão da saúde, 25% da população está com sobrepeso, e 15%, obesa. Isso é alarmante. Mas faço esse recorte para chamar atenção para a criminalização da gordura. Em São Paulo, circulou uma peça publicitária de uma campanha de prevenção de obesidade infantil na qual o menino tinha uma tarja preta sobre o rosto. Assim você criminaliza a gordura. A obesidade é considerada hoje o máximo do desleixo dos pais para com seus filhos. Enquete feita pelo Fantástico perguntava se os pais de obesos deveriam perder a guarda dos filhos. Este é o ponto a que chegamos.
Donna ZH - Não é à toa então que uma revista nacional elegeu Angelina Jolie como o símbolo da mulher bem-sucedida do século 21.
Joana - Quando você pede a alguém que cite o exemplo de um ícone, de mulher bem-sucedida, a resposta sempre é uma personalidade bonita. Não basta mais ser mãe, esposa, ter carreira. É necessário ser bonita e ter um corpo em dia e jovem. A vaidade associada à juventude é um valor máximo dos tempos atuais. Por isso as meninas começam a se preocupar com a imagem corporal tão cedo. A TV, e não estou satanizando a mídia, cumpre um papel decisivo nisso ao difundir padrões de comportamento. Vivemos na sociedade da imagem. Não é à toa que as modelos são os ícones. Isso diz muito da nossa cultura.
Donna ZH - Depois de tantas transformações e liberações, a mulher está agora presa à ditadura do corpo?
Joana - Sim, você libera a mulher do espartilho, queima os sutiãs mas e aí? Cai na ditadura da beleza, da esteira. Costumo brincar dizendo que hoje a coisa ficou mais difícil. Além das três jornadas típicas da mulher (casamento, casa e trabalho), agora ela enfrenta a quarta jornada: ter que ser gostosa. Não tenho uma leitura feminista disso, os benefícios do exercício são inegáveis. Só proponho uma visão mais crítica.
28 de ago. de 2007
O fim das verdadeiras loiras?

Acabei de ler esta matéria o sobre o fim dos loiros naturais. Olha, com tanta gente pintando o cabelo não dá nem pra dar bola para estas coisas... Mas enfim, sempre vale a pena ficar por dentro das coisas. Eu mesma, como vocês sabem, sou loira. Nasci assim e com o tempo o me cabelo foi escurecendo. Como o da maioria das pessoas. Também como a maioria das mulheres que tem o fundo do cabelo da cor do meu, acabo fazendo luzes para dar uma clareadinha. Normal! É óbvio que ninguém com a minha idade tem cabelo natural desta cor. Fala sério...!? assumo que pinto, faço escova prograssiva e me jogo de cabeça nos tratamentos capilares. Quem não faria? Fica lindo, tratado e da cor que a gente gosta. Certo gurias? Agora, já complexo de Paquita acho megacafona. A cor tem que ser natural. Combinar com a pele da gente.... presta atenção! Hem?!
Mas voltando a loirísse, eu sempre gostei de um loirinho. Meu primeiro grande amor era loiro com as espigas de milho e as moedas antigas - já diria meu avô. Tinha cabelo tigelinha, típico da surfistada adolescente da época e olhos azuis. O Alemão Beto era lindo de morrer. Era caidinha pelos cabelos lisinho e loirinhos dele... Com o tempo fui mudando de gosto. Experimentei os morenos, castanhos, ruivos e percebi que a cor do cabelo é o que menos importa. Até porque, chega uma hora que a gente não tem gosto, tem é pressa! rsrsrsr!
Enfim, olha a notícia bombática aí:
Mas voltando a loirísse, eu sempre gostei de um loirinho. Meu primeiro grande amor era loiro com as espigas de milho e as moedas antigas - já diria meu avô. Tinha cabelo tigelinha, típico da surfistada adolescente da época e olhos azuis. O Alemão Beto era lindo de morrer. Era caidinha pelos cabelos lisinho e loirinhos dele... Com o tempo fui mudando de gosto. Experimentei os morenos, castanhos, ruivos e percebi que a cor do cabelo é o que menos importa. Até porque, chega uma hora que a gente não tem gosto, tem é pressa! rsrsrsr!
Enfim, olha a notícia bombática aí:
O fim das verdadeiras loiras?
Laure Belot e Véronique Lorelle
Vai ser pouco depois de 2200, na Finlândia, que nascerá a derradeira loira do planeta. Esta afirmação foi repercutida por diferentes veículos de comunicação, desde o "New York Times" até à BBC. Desde 2002, contudo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) - citada como a fonte deste estudo que anuncia "a extinção do gene que caracteriza os verdadeiros loiros" - não se cansa de clamar que ela "nunca conduziu pesquisas sobre este assunto". Apesar dessas ressalvas, a brincadeira não deixa de ter fundamento. O planeta conta 6,5 bilhões de indivíduos, dos quais cerca de 1 bilhão na África e 4 bilhões na Ásia (da Turquia ao Japão), segundo o Population Reference Bureau (Centro de Estatísticas e Informação sobre População, Saúde e Meio-ambiente, com sede em Nova York). Em 2050, a população mundial terá aumentado para 9 milhões de humanos. Os 3 bilhões de pessoas suplementares serão principalmente oriundos da África, da Ásia e da América do Sul. Logo, a freqüência dos loiros, que são raros fora dos países ocidentais - mesmo se eles podem ser encontrados de maneira esporádica na África do Norte e no Oriente Médio - vai diminuir. E isso acontecerá tanto mais que essa cor de cabelos, assim como os olhos azuis, se deve a genes recessivos. "Para ser loiro, é preciso herdar dois genes que comandam esta característica, sendo que um provém do pai, e o outro da mãe", lembra o geneticista Axel Kahn. "Se, em todo o mundo, o número de genes loiros permanece constante, ao passo que aquele de genes morenos vai aumentando, haverá uma probabilidade decrescente de que duas pessoas herdem dois genes loiros, os quais constituem uma condição impreterível para que eles sejam loiros". Segundo Kahn, uma hipótese realista seria a "de uma intensificação das misturas das populações, e do advento de um perfil de humano mestiçado, do tipo brasileiro". A L'Oréal, a companhia líder mundial em produtos de beleza, já se antecipou a esta evolução. Ela está construindo em Saint-Ouen (Seine-Saint-Denis, região parisiense) um centro mundial que será dedicado a pesquisas relativas a tudo o que se refere aos cabelos. Neles, 600 pesquisadores, que deverão operar a partir de 2010, trabalharão "numa nova forma de beleza, o cabelo mestiçado", explica Patricia Pineau, a diretora da comunicação deste setor de pesquisas.Desde já, segundo uma pesquisa que foi conduzida em torno de milhares de cabeleiras, e que será publicada na revista especializada "Human Biology" neste outono, a L'Oréal recenseou oito diferentes tipos de cabelos em vez de três, na escala mundial. "Até então, distinguia-se o cabelo caucasiano, o africano e o asiático. Nós conseguimos elaborar uma classificação mais respeitosa da geografia humana, e baseada na forma e no grau de crespidão do cabelo: desde o muito rígido (Ásia, Índia, México...) até o encrespado intenso (Gana, Nordeste brasileiro). Isso deverá permitir que nos adaptemos à diversidade das cabeleiras induzida pela mestiçagem das populações". E desde já, surge também um paradoxo: no decorrer das próximas décadas, a proporção de loiros naturais seguirá diminuindo, e, contudo, o mito poderia muito bem crescer proporcionalmente. Já, na Europa, uma mulher em cada três tinge os seus cabelos numa nuance de loiro, ao passo que, segundo Joanna Pitman, autora do livro "Les Blondes" ("As Loiras", editora Autrement, 2005), apenas "um adulto em cada vinte nos Estados Unidos e mais ou menos a mesma proporção na Europa" tem esta cor natural. A que se deve este fascínio? Segunda esta escritora, a história remonta a Vênus/Afrodite, deusa do amor de cabeleira clara... "A partir de então, cada época conferiu [à louridão] valores que refletiam as suas preocupações. Ela tornou-se um vício durante as épocas obscuras, uma obsessão durante o renascimento, uma mística na Inglaterra elisabetana (...), uma ideologia durante os anos 1930, um sinal de convite sexual durante os anos 1950...", escreve Joanna Pitman. E em nossa época? Para a escritora britânica Marina Warner, uma especialista nos mitos, "ser loiro equivale a lembrar a cor da infância, a se envolver na busca da juventude eterna". Para o psicanalista Samuel Lepastier, o mito da louridão é intimamente vinculado à história européia. O continente, que foi invadido por povos loiros - os dórios, os francos - associou esta cor ao vencedor: "Trata-se de um mito fundador da desigualdade das raças humanas, cuja versão a mais delirante foi o racismo hitleriano", sublinha. Mas a atração pelo loiro se explicaria muito além do fenômeno sociológico ou cultural, segundo o antropólogo canadense Peter Frost. Para este pesquisador, que estudou as formas como o gene perdurou em certos lugares do planeta, isso estaria relacionado à "seleção sexual que privilegia as cores vivas, e também as cores raras. A atração sexual orienta-se para as variantes menos freqüentes e mais sedutoras. Com isso, instala-se um equilíbrio dinâmico que conduz a uma diversidade cada vez maior da espécie".
ETIMOLOGIA
BLOND (Loiro): do latim "blandus" (encantador) e do latim medieval "blundus" (amarelo). A palavra aparece no século 12 em francês e entra no vocabulário corrente por volta de 1930 com as "deusas" de Hollywood. (Fonte: Joanna Pitman, vide abaixo).GENÉTICA: A cor dos cabelos é determinada pelo gene MC1R, que regula a eumelanina (pigmento moreno-negro) e a feomelanina (loiro-ruivo). A proporção desses pigmentos varia bastante conforme as parte do corpo, seja no bulbo piloso, no íris ou na pele, daí a existência, por exemplo, de morenos de olhos azuis. Segundo a metodologia empregada pela L'Oréal, um cabelo loiro possui pelo menos 50% de pigmentos claros.PARA LER: "Les Blondes" (As Loiras), uma história muito estranha, de Afrodite até Madonna, de Joanna Pitman (publicado na França pela editora Autrement, 2005, e também nos Estados Unidos, com o título "On Blondes")."From the Beast to the Blonde: On Fairy Tales and Their Tellers" ("Da Fera às Loiras - Sobre contos de fadas e seus narradores"), de Marina Warner (Chatto & Windus, 1994, editado no Brasil pela Cia. das Letras).
Diferentemente do que afirmam os lugares comuns, seria, portanto, menos a cor dos trigos que seduz do que a sua raridade num determinado grupo de população. Para ilustrar esta tese, o pesquisador canadense cita os estudos do biólogo americano Thomas Thelen. "Este último preparou três séries de slides que mostram mulheres atraentes: a primeira apresentava 6 morenas; a segunda 1 morena e 5 loiras; e a terceira 1 morena e 11 loiras. Então, ele pediu a um grupo de homens para escolher, em função de cada série, a mulher com a qual eles gostariam de se casar. O resultado do teste foi que quanto mais uma mesma morena era rara numa série, quanto mais eles a escolheram". As sociedades nas quais predominam os cabelos de azeviche já se divertem com uma cabeleira diferente da delas, o que é o caso, por exemplo, das lolitas japonesas. "Estão criando não só tons loiros peroxidados [oxigenados], como também cabelos púrpuros ou verdes, as quais são cores absolutamente inovadoras, e cujo objetivo permanece o mesmo: chamar a atenção", assegura Peter Frost. Ainda assim, segundo Samuel Lepastier, nada diz que o mito loiro não será substituído por algum outro, à medida que a esfera de influência do planeta for se deslocando rumo a Ásia e que outras culturas dominantes forem surgindo. A força simbólica do loiro, conforme lembra o psicanalista, é acima de tudo o fruto de duzentos anos de supremacia do mundo ocidental, desde a colonização até a expansão da cultura americana, com as suas deusas platinadas. Os geneticistas, por sua vez, estão certos de uma coisa: o caráter "fenótipo loiro" nunca se extinguirá, diz Axel Kahn. "Ele poderá ressurgir aqui ou lá, um pouco como fazem atualmente as doenças raras". O planeta não está protegido de novas surpresas. Atualmente, populações de loiros naturais estão se desenvolvendo entre os esquimós do oeste do Ártico canadense e os aborígines da Austrália central. "Nesses dois casos, trata-se possivelmente, analisa Peter Frost, dos primórdios de uma evolução por meio de seleção sexual, parecida com aquela que conheceram os europeus".
ETIMOLOGIA
BLOND (Loiro): do latim "blandus" (encantador) e do latim medieval "blundus" (amarelo). A palavra aparece no século 12 em francês e entra no vocabulário corrente por volta de 1930 com as "deusas" de Hollywood. (Fonte: Joanna Pitman, vide abaixo).GENÉTICA: A cor dos cabelos é determinada pelo gene MC1R, que regula a eumelanina (pigmento moreno-negro) e a feomelanina (loiro-ruivo). A proporção desses pigmentos varia bastante conforme as parte do corpo, seja no bulbo piloso, no íris ou na pele, daí a existência, por exemplo, de morenos de olhos azuis. Segundo a metodologia empregada pela L'Oréal, um cabelo loiro possui pelo menos 50% de pigmentos claros.PARA LER: "Les Blondes" (As Loiras), uma história muito estranha, de Afrodite até Madonna, de Joanna Pitman (publicado na França pela editora Autrement, 2005, e também nos Estados Unidos, com o título "On Blondes")."From the Beast to the Blonde: On Fairy Tales and Their Tellers" ("Da Fera às Loiras - Sobre contos de fadas e seus narradores"), de Marina Warner (Chatto & Windus, 1994, editado no Brasil pela Cia. das Letras).
Diferentemente do que afirmam os lugares comuns, seria, portanto, menos a cor dos trigos que seduz do que a sua raridade num determinado grupo de população. Para ilustrar esta tese, o pesquisador canadense cita os estudos do biólogo americano Thomas Thelen. "Este último preparou três séries de slides que mostram mulheres atraentes: a primeira apresentava 6 morenas; a segunda 1 morena e 5 loiras; e a terceira 1 morena e 11 loiras. Então, ele pediu a um grupo de homens para escolher, em função de cada série, a mulher com a qual eles gostariam de se casar. O resultado do teste foi que quanto mais uma mesma morena era rara numa série, quanto mais eles a escolheram". As sociedades nas quais predominam os cabelos de azeviche já se divertem com uma cabeleira diferente da delas, o que é o caso, por exemplo, das lolitas japonesas. "Estão criando não só tons loiros peroxidados [oxigenados], como também cabelos púrpuros ou verdes, as quais são cores absolutamente inovadoras, e cujo objetivo permanece o mesmo: chamar a atenção", assegura Peter Frost. Ainda assim, segundo Samuel Lepastier, nada diz que o mito loiro não será substituído por algum outro, à medida que a esfera de influência do planeta for se deslocando rumo a Ásia e que outras culturas dominantes forem surgindo. A força simbólica do loiro, conforme lembra o psicanalista, é acima de tudo o fruto de duzentos anos de supremacia do mundo ocidental, desde a colonização até a expansão da cultura americana, com as suas deusas platinadas. Os geneticistas, por sua vez, estão certos de uma coisa: o caráter "fenótipo loiro" nunca se extinguirá, diz Axel Kahn. "Ele poderá ressurgir aqui ou lá, um pouco como fazem atualmente as doenças raras". O planeta não está protegido de novas surpresas. Atualmente, populações de loiros naturais estão se desenvolvendo entre os esquimós do oeste do Ártico canadense e os aborígines da Austrália central. "Nesses dois casos, trata-se possivelmente, analisa Peter Frost, dos primórdios de uma evolução por meio de seleção sexual, parecida com aquela que conheceram os europeus".
24 de ago. de 2007
Comer devagar!

Dizem que a melhor dieta é comer devagar. Dizem mesmo que é por isso que tem mais gente obesa nas grandes cidades frenéticas do que nas pequenas e modorrentas cidades do interior, onde as pessoas ainda têm tempo para se reunir em volta da mesa e, juntas, transformarem a comida num evento, o comer, numa celebração da vida!
Depois de fazer dieta anos a fio, minha tendência é concordar. Comer devagar, faz a gente comer pouco, aprender a saborear os alimentos nos faz amantes naturais da boa mesa, dos ingredientes de qualidade, da comida bem feita, com capricho e carinho...Não é à toa que Nigella Lawson, belíssima autora de livros de nomes inspirados como How to be a domestic goddess, com todas as receitas de bolos e bolinhos que você pode imaginar, diz que ninguém precisa realmente aprender a cozinhar, precisa, antes, aprender a comer...
Para começar, vale uma visita ao site do Slow Food, o movimento que começou na Itália e espalhou-se pelo mundo para divulgar a idéia de que comida é cultura, comer devagar é comer bem e escolher cuidadosamente os ingredientes mais puros e mais próximos do local onde são produzidos é sinal de sabedoria. No conjunto, um jeito mais calmo de viver...por que não?
23 de ago. de 2007
(IM)PERFEIÇÕES

A Camila Yahn escreveu muito bem sobre as imperfeições das obras deste artista inglês. A cara do De dentro... olha aí:
Uma série de trabalhos que questiona os estereótipos de beleza terminou com uma homenagem a uma das mulheres mais lindas da atualidade. Kate Moss foi a inspiração do artista Marc Quinn, que a esculpiu em posições de yoga. “Sphinx” tem três metros e está atualmente exposta em Chatsworth House, na Inglaterra, e segue para uma exposição na Holanda, em setembro.
Seu último trabalho desta série foi baseado em cima da artista britânica Alison Lapper, que nasceu sem os braços e, na époc,a estava grávida de oito meses. A estátua, exposta em uma das colunas da superbusy Trafalgar Square, em Londres, vai mais além, já que poucos espaços públicos exibem imagens de pessoas com necessidades especiais.
“Sphinx” faz o caminho inverso ao pegar uma mulher de beleza inquestionável, porém contorce seu corpo de uma forma desconfortável. Segundo Quinn disse ao jornal britânico “The Guardian”, “as duas esculturas tratam do mesmo tema: por que a gente acha ou não uma pessoa bonita.”
Ainda segundo o “Guardian”, Quinn escolheu Kate por conta de seu status na cultura atual. “Ela é uma versão contemporânea da esfinge. Um mistério. Kate deve ter algo, que não sabemos o que é, que a conectou com o coletivo inconsciente desta geração para torná-la tão o espírito de uma era.” O trabalho, esculpido em bronze e pintado em branco, é parte de uma série da modelo em poses de yoga, que serão exibidas em grupo pela primeira vez em Nova York.
Olhando as duas estátuas, acho a de Alison tão bonita quanto a de Kate.
Seu último trabalho desta série foi baseado em cima da artista britânica Alison Lapper, que nasceu sem os braços e, na époc,a estava grávida de oito meses. A estátua, exposta em uma das colunas da superbusy Trafalgar Square, em Londres, vai mais além, já que poucos espaços públicos exibem imagens de pessoas com necessidades especiais.
“Sphinx” faz o caminho inverso ao pegar uma mulher de beleza inquestionável, porém contorce seu corpo de uma forma desconfortável. Segundo Quinn disse ao jornal britânico “The Guardian”, “as duas esculturas tratam do mesmo tema: por que a gente acha ou não uma pessoa bonita.”
Ainda segundo o “Guardian”, Quinn escolheu Kate por conta de seu status na cultura atual. “Ela é uma versão contemporânea da esfinge. Um mistério. Kate deve ter algo, que não sabemos o que é, que a conectou com o coletivo inconsciente desta geração para torná-la tão o espírito de uma era.” O trabalho, esculpido em bronze e pintado em branco, é parte de uma série da modelo em poses de yoga, que serão exibidas em grupo pela primeira vez em Nova York.
Olhando as duas estátuas, acho a de Alison tão bonita quanto a de Kate.
Ser mais você
Tava garimpando e encontrei o textinho da Pati Rabelo. Olha que bacana:
em: 9/8/2007
Nada como contar até dez pra deixar a raiva passar. Dar tempo ao tempo pra ver as situações com distanciamento e clareza. Como se fosse do ponto de vista do seu melhor amigo, aquele que dá os melhores conselhos justamente porque a situação não é com ele. Reações enfurecidas e passionais ficam sempre tão sem sentido depois que a raiva passa.
Acho que isso é ser mais você. É se permitir uma tranqüilidade que desaprendemos, se é que um dia a tivemos. É não querer ser dono de ninguém, porque, desista, você nunca será mesmo. Uma conhecida minha, psicóloga organizacional, certa vez falou que queremos possuir as coisas, porque as pessoas nós nunca possuímos.
Ciúme, posse e dependência são apenas nomes diferentes pra disfarçar uma insegurança que é nossa, e que não tem a ver com o fato do Marcelo não ter ligado ou a Aline não ter aparecido.
O indiano Krishnamurti disse que “na verdade ninguém satisfaz ninguém. Nós delimitamos essa possibilidade, por alguma razão pessoal. O amor está além da satisfação. Há amor quando não há exigências, intolerância, cobranças e ciúmes”. Então, nem adianta trocar o Marcelo pelo João ou Aline pela Roberta, vai mudar muito pouco se o problema estiver em você. E também qual a graça de ter um robô do seu lado? Que presta conta de tudo o que faz, de com quem fala e “não faz nada errado” só porque está sendo monitorado e cobrado? Se não há escolha nem liberdade, não há mérito. Bom mesmo é fazer ou deixar de fazer algo por convicção e não porque você está sendo filmado. Alguém já falou que “ética é quando ninguém está vendo”. É isso aí.
Ser mais você não tem nada a ver com ser egoísta. Ao contrário, é altruísmo, porque o altruísta quer ser feliz e permite que o outro seja também. Ser mais você é estar de bem com você mesma e com os outros, sem precisar cobrar desses outros algo que quem tem que se dar é você. É pegar o leme da própria vida, ser seu próprio capitão, assumir a responsabilidade [= habilidade de dar respostas] pela sua felicidade.
Não é ser bobo, nem aceitar tudo não... Nada a ver com isso. Até porque quem aceita tudo passivamente está na mesma situação daquele que é autoritário. Os dois relacionam sua felicidade a um outro ou a coisas que estão lá fora: o primeiro aceita ser dominado “pra não perder o que já tem e que é melhor do que nada”, e o segundo quer sempre dominar “pra garantir o que já conseguiu e continuar se dando bem”. Eu falo simplesmente de encontrar seu eixo, de não cobrar demais dos outros nem esperar que um “super-homem venha nos restituir a glória”, como já disse o Gil. Ora, os outros já têm que dar conta dos seus próprios problemas e expectativas. E até o bonitão superpoderoso do Super-Homem (ooh lah lah!) tem sua criptonita. O cara muda o sentido de rotação do planeta, pára um trem, salva a humanidade, mas até ele tem seu ponto fraco.
Pra que a toda hora se armar até os dentes, sempre pronta pra guerra? Além de cansativo, esse é o nosso erro na grande maioria das vezes: levar tudo a ferro e a fogo, indignando-se por pouco, querendo prestar contas de cada palavra dita, de cada gesto esperado - muitas vezes, nem nos prometeram, nós que viajamos - e não cumprido.
Mas é justamente aí, ao exigir nossos “direitos” em relação ao outro, que cometemos um engano. Algumas coisas não podem ser exigidas, porque, vindo dessa forma, perdem grande parte do seu valor. Cobrar amor, reconhecimento, respeito, honestidade? Ninguém tem que lhe dar o que você já tem, e que só basta encontrar dentro de si. Fora que ninguém agüenta a pressão da cobrança por muito tempo. Acho que por isso os começos são tão mágicos, tão encantadores: todo mundo é franco-atirador. Há uma sensação de que não se tem muito a perder, daí pouco se cobra ou se exige. As pessoas, nos começos, são mais leves. Mas, depois, essas mesmas pessoas começam a achar que são donas - da amiga, do namorado, da esposa, do computador na empresa - e que têm que “cuidar do que é seu”. Na verdade, mais que em cuidar, muitas estão preocupadas em “se apossar do que é seu”. Aí complica.
Como diz o escritor argentino Jorge Luís Borges, seja leve. Ponto.
Se algo insiste em não estar bom pra você, não insista mais. Pegue seu boné e “on the road”. Sempre haverá outras pessoas, outros lugares, outros trabalhos, outras paixões que parecerão pra vida toda, outros projetos... Melhores, piores ou simplesmente diferentes daqueles aos quais você se acostumou. Mas o importante é que a escolha será sempre sua. E, fazer como naqueles jogos de criança em que você dizia “passo!” ou “bandeirinha!” também não ajuda. Porque não fazer escolhas já é uma escolha. Talvez a mais perigosa delas.
Deixe a vida correr no seu próprio ritmo e viva. De bem com você. Ponto.
Sem precisar inventar que está bem ou querer parecer bem, porque esse bem-estar artificial é ilusório. Não passa de efeito Photoshop. Criar uma falsa impressão de estar por cima sem estar é cosmético, não é medicinal. Fica bonito na hora e só pra quem está vendo de fora, mas não resolve o problema. Melhor tomar uma atitude medicinal, então: seja você com todos os ônus e bônus que isso implica.
Se surgir uma viagem pra China, pra Índia, para as Maldivas, vá. Avise aos amigos, mande notícias de um cyber de lá, mas vá. Se for uma viagem pra uma praia que fica logo ali a 60km, vá. E, se for só pra curtir no seu quarto, curta. A quantidade de quilômetros não importa. O que quer que você tenha ou sinta, seja felicidade, equilíbrio interior, tristezas ou angústias, irão com você, independentemente da distância que você “per-corra”. O que importa é passar por cada experiência, permitir-se o que cada momento traz. Enfim, viver em vez de sobreviver.
E aproveite. Só isso.
Seja feliz com você. E por você. E, paradoxalmente, quando você menos precisar das pessoas, é quando mais você as terá por perto. Elas naturalmente vão se encantar e querer cada vez mais sua companhia, pois sua felicidade será algo autêntico. Sim, será verdadeira porque virá de dentro e, por isso mesmo, será genuinamente contagiante.
★Pati Rabelo
em: 9/8/2007
Nada como contar até dez pra deixar a raiva passar. Dar tempo ao tempo pra ver as situações com distanciamento e clareza. Como se fosse do ponto de vista do seu melhor amigo, aquele que dá os melhores conselhos justamente porque a situação não é com ele. Reações enfurecidas e passionais ficam sempre tão sem sentido depois que a raiva passa.
Acho que isso é ser mais você. É se permitir uma tranqüilidade que desaprendemos, se é que um dia a tivemos. É não querer ser dono de ninguém, porque, desista, você nunca será mesmo. Uma conhecida minha, psicóloga organizacional, certa vez falou que queremos possuir as coisas, porque as pessoas nós nunca possuímos.
Ciúme, posse e dependência são apenas nomes diferentes pra disfarçar uma insegurança que é nossa, e que não tem a ver com o fato do Marcelo não ter ligado ou a Aline não ter aparecido.
O indiano Krishnamurti disse que “na verdade ninguém satisfaz ninguém. Nós delimitamos essa possibilidade, por alguma razão pessoal. O amor está além da satisfação. Há amor quando não há exigências, intolerância, cobranças e ciúmes”. Então, nem adianta trocar o Marcelo pelo João ou Aline pela Roberta, vai mudar muito pouco se o problema estiver em você. E também qual a graça de ter um robô do seu lado? Que presta conta de tudo o que faz, de com quem fala e “não faz nada errado” só porque está sendo monitorado e cobrado? Se não há escolha nem liberdade, não há mérito. Bom mesmo é fazer ou deixar de fazer algo por convicção e não porque você está sendo filmado. Alguém já falou que “ética é quando ninguém está vendo”. É isso aí.
Ser mais você não tem nada a ver com ser egoísta. Ao contrário, é altruísmo, porque o altruísta quer ser feliz e permite que o outro seja também. Ser mais você é estar de bem com você mesma e com os outros, sem precisar cobrar desses outros algo que quem tem que se dar é você. É pegar o leme da própria vida, ser seu próprio capitão, assumir a responsabilidade [= habilidade de dar respostas] pela sua felicidade.
Não é ser bobo, nem aceitar tudo não... Nada a ver com isso. Até porque quem aceita tudo passivamente está na mesma situação daquele que é autoritário. Os dois relacionam sua felicidade a um outro ou a coisas que estão lá fora: o primeiro aceita ser dominado “pra não perder o que já tem e que é melhor do que nada”, e o segundo quer sempre dominar “pra garantir o que já conseguiu e continuar se dando bem”. Eu falo simplesmente de encontrar seu eixo, de não cobrar demais dos outros nem esperar que um “super-homem venha nos restituir a glória”, como já disse o Gil. Ora, os outros já têm que dar conta dos seus próprios problemas e expectativas. E até o bonitão superpoderoso do Super-Homem (ooh lah lah!) tem sua criptonita. O cara muda o sentido de rotação do planeta, pára um trem, salva a humanidade, mas até ele tem seu ponto fraco.
Pra que a toda hora se armar até os dentes, sempre pronta pra guerra? Além de cansativo, esse é o nosso erro na grande maioria das vezes: levar tudo a ferro e a fogo, indignando-se por pouco, querendo prestar contas de cada palavra dita, de cada gesto esperado - muitas vezes, nem nos prometeram, nós que viajamos - e não cumprido.
Mas é justamente aí, ao exigir nossos “direitos” em relação ao outro, que cometemos um engano. Algumas coisas não podem ser exigidas, porque, vindo dessa forma, perdem grande parte do seu valor. Cobrar amor, reconhecimento, respeito, honestidade? Ninguém tem que lhe dar o que você já tem, e que só basta encontrar dentro de si. Fora que ninguém agüenta a pressão da cobrança por muito tempo. Acho que por isso os começos são tão mágicos, tão encantadores: todo mundo é franco-atirador. Há uma sensação de que não se tem muito a perder, daí pouco se cobra ou se exige. As pessoas, nos começos, são mais leves. Mas, depois, essas mesmas pessoas começam a achar que são donas - da amiga, do namorado, da esposa, do computador na empresa - e que têm que “cuidar do que é seu”. Na verdade, mais que em cuidar, muitas estão preocupadas em “se apossar do que é seu”. Aí complica.
Como diz o escritor argentino Jorge Luís Borges, seja leve. Ponto.
Se algo insiste em não estar bom pra você, não insista mais. Pegue seu boné e “on the road”. Sempre haverá outras pessoas, outros lugares, outros trabalhos, outras paixões que parecerão pra vida toda, outros projetos... Melhores, piores ou simplesmente diferentes daqueles aos quais você se acostumou. Mas o importante é que a escolha será sempre sua. E, fazer como naqueles jogos de criança em que você dizia “passo!” ou “bandeirinha!” também não ajuda. Porque não fazer escolhas já é uma escolha. Talvez a mais perigosa delas.
Deixe a vida correr no seu próprio ritmo e viva. De bem com você. Ponto.
Sem precisar inventar que está bem ou querer parecer bem, porque esse bem-estar artificial é ilusório. Não passa de efeito Photoshop. Criar uma falsa impressão de estar por cima sem estar é cosmético, não é medicinal. Fica bonito na hora e só pra quem está vendo de fora, mas não resolve o problema. Melhor tomar uma atitude medicinal, então: seja você com todos os ônus e bônus que isso implica.
Se surgir uma viagem pra China, pra Índia, para as Maldivas, vá. Avise aos amigos, mande notícias de um cyber de lá, mas vá. Se for uma viagem pra uma praia que fica logo ali a 60km, vá. E, se for só pra curtir no seu quarto, curta. A quantidade de quilômetros não importa. O que quer que você tenha ou sinta, seja felicidade, equilíbrio interior, tristezas ou angústias, irão com você, independentemente da distância que você “per-corra”. O que importa é passar por cada experiência, permitir-se o que cada momento traz. Enfim, viver em vez de sobreviver.
E aproveite. Só isso.
Seja feliz com você. E por você. E, paradoxalmente, quando você menos precisar das pessoas, é quando mais você as terá por perto. Elas naturalmente vão se encantar e querer cada vez mais sua companhia, pois sua felicidade será algo autêntico. Sim, será verdadeira porque virá de dentro e, por isso mesmo, será genuinamente contagiante.
★Pati Rabelo
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